Prezados
É com muito prazer que volto a este canal para compartilhar o que venho aprendendo há algum tempo fora e dentro da comunidade ágil.
Fiquei lisonjeado pelo fato de existirem leitores que não são desenvolvedores ou que trabalham com TI. Por esse motivo, quero adentrar em questões humanas que fazem parte do nosso trabalho, mas também podem contribuir para nossa vida.
Permitam-me inserir meu mini-curriculum aqui a fim de situar nossa conversa no eixo tempo-espaço (Uau!!! Quem lê pensa que sabe...). Me formei em janeiro de 2006 em Sistemas de Informação pelo Centro Universitário Franciscano. Fiquei um ano sem estudar, mas desde 2004 tinha na cabeça que faria o MBA em Gestão Empresarial pela FGV. E não podia ser em outro lugar. Então em 2007 iniciei esse curso que me trouxe algumas lições.
Dentre as disciplinas cursadas, uma trouxe uma visão bastante interessante: Negociação. Ministrada pelo Prof. Gersem Martins, um mestre com formação internacional e experiência em negociação de exploração de petróleo pela nossa Petrobrás. Realmente ele tem alguma experiência profissional.
O que chamou a atenção nesse curso foi a seguinte colocação do Prof.: quando ensinamos uma matéria técnica, o aluno leva aquilo para o ambiente profissional, mas quando ensinamos uma matéria humana, o aluno leva para a vida. E ele relatou que houveram vários casos de alunos que melhoraram seus relacionamentos conjugais e familiares após passarem pelo curso.
Aqui vão alguns ensinamentos deixados pelo Prof. Gersem que passei a levar no meu dia a dia pessoal e profissional, e que compartilho com vocês nesse momento:
1 - Ao iniciarmos uma negociação, pouco ou nada sabemos sobre o outro lado. Diante de tal ignorância, precisamos sair da caverna e ir para a galeria a fim de adquirir uma maior compreensão do problema.
2 - Negociação por princípios
2.1. - Separar o problema das pessoas
2.2. - Manter o foco nos interesses
2.3. - Inventar opções para ganhos mútuos
2.4. - Utilizar critérios objetivos
Fica aqui meu agradecimento ao Prof. Gersem pelos valiosos ensinamentos.
Após esse passeio pelo mundo do business, estava eu de volta, totalmente imerso no mundo do software. Enquanto cursava o MBA, pensei em sair do mundo do software. Mas não adianta: Nessas veias e artérias correm 0s e 1s.
Com esse retorno, veio o mundo dos métodos ágeis. Para quem está chegando, o mundo dos métodos ágeis "engana", deixando transparecer que não passam de técnicas de programação e estruturação de projetos. Fui entrando, estudando, participando de eventos, conhecendo pessoas. E tal foi a minha surpresa que me dei por conta, em um primeiro momento, por observação e comentários, que o desenvolvimento de software é uma atividade social, e que a única coisa de exata ali era o compilador.
O segundo contato com uma dimensão mais humana da atividade de desenvolver software foi durante o curso de scrum, com o Rafael Prikladnicki, quando tive um contato mais consistente com o termo "Auto Organização". Simples de entender mas complexo de aplicar. Penso que essa complexidade vem do fato que temos que abrir mão do EU em preferência ao NÓS.
Adentrando mais nesse mundo, tal foi minha surpresa com o reencontro com a Programação Neurolingística (PNL). Há muitos anos havia assistido a vídeos e comprado um livro do Dr. Lair Ribeiro, mas isso foi um conhecimento armazenado em algum lugar do cérebro e deixado lá.
Esse reencontro foi durante o curso de Requisitos Ágeis, com o Parzianello. É uma ferramenta interessante, dentro do contexto da nossa indústria, de coleta de informações e gerenciamento de conflitos. Insisto: Sou um iniciante. Por esse motivo pode ser que existam outras aplicações para PNL, mas nesse momento eu vejo até aqui ;-).
Quando vivemos num momento em que aproximadamente 1/3 dos projetos de software no mundo dão certo (leia-se dar certo como entregue dentro do prazo e custo esperados), é nosso dever levantar a cabeça e ver o que podemos aproveitar do mundo em nossa volta.
Bom, considero que estou no nível de saber apenas que a PNL existe. Mas penso que é interessante resumir algumas coisas que aprendi, em PNL, visando o mundo profissional, e faço um esforço para levá-las para o mundo pessoal. São elas:
1 - Todos temos filtros de compreensão e processamento das informações que nos permitem entender o mundo de uma maneira única. Porém, como profissionais que trabalham com informação como entrada e saída de um processo, precisamos entender a realidade do outro a fim de entregarmos aquilo que trará valor ao cliente. Como pessoa, isso é importante, a fim de não ferirmos crenças e valores de outrem.
2 - Conseguir visualizar que por trás de comportamentos existem propósitos nos fará entender o contexto na qual aquela pessoa está inserida, o que trará uma riqueza de informação e um norte seguro ao tratarmos com ela, seja para adquirir informação ou para conduzirmos uma pessoa ou um time a outro rumo, sem que isso ocorra num contexto "comando-controle".
3 - Quando estamos diante de um dilema com outrem, quanto mais nos atermos aos detalhes, mais complicado será de alcançarmos um acordo. Se, ao contrário, enxergarmos as coisas de um plano mais elevado, será mais simples atingir o acordo.
Bom, espero ter cumprido o objetivo de levar um pouco do que eu aprendi aos demais, não restringindo esse conhecimento aos desenvolvedores e agilistas que por ventura passem por aqui.
Estou aberto a todas as sugestões e críticas que vocês tenham em relação a este ou outro post. Afinal, um dos valores da Extreme Programming, e por consequência dos métodos ágeis - tema deste blog, é o feedback. E eu quero recebê-los o mais breve possível.
P.S: Espero igualmente ter levado a todos um lado humano presente nos métodos ágeis e necessária a atividade vista como essencialmente técnica.
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